Rede dos Conselhos de Medicina
MÉDICOS NÃO RETORNAM AO TRABALHO - Leia mais notícias no Clipping Cremern 23/09/2010
TRIBUNA DO NORTE MÉDICOS NÃO RETORNAM AO TRABALHO A classe médica está cada vez mais unida e disposta a lutar contra as ações do governo municipal. Mesmo após ser considerada ilegal pela desembargadora Maria Zeneide Barbosa, a greve que atinge os serviços médicos da rede municipal de saúde não chegará ao fim antes da audiência com os representantes da prefeitura que será hoje, às 14h, na Câmara Municipal. A imprensa não teve acesso à reunião (solicitada pela Prefeitura), realizada ontem pela manhã na Promotoria de Justiça. Os secretários de Saúde, Thiago Trindade; do Gabinete Civil, Kalazans Bezerra, o procurador Municipal Bruno Macedo e seu adjunto, Eider Mendes, e o secretário executivo da Prefeitura, Sylvio Eugênio, apresentaram os detalhes do Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos (PCCV) da saúde municipal às desembargadoras. Os veículos de imprensa não puderam realizar a cobertura da reunião a pedido das desembargadoras, conforme informação da assessoria de comunicação da Prefeitura. Além disso, a assessoria da Promotoria de Justiça informou que a greve havia acabado e os médicos voltariam ao trabalho ontem mesmo. Porém, em visita aos postos de saúde de Cidade da Esperança, Felipe Camarão e ao pronto-socorro infantil Dra. Sandra Celeste, a informação colhida foi de que o Sindicato dos Médicos (Sinmed) não iria ceder até uma resolução favorável à prefeitura e aos médicos. “Mesmo que tivesse acabado, teríamos até 72h para voltarmos ao trabalho normal”, relata uma médica que pediu sigilo sob sua identidade. O Sinmed realizou um piquete em frente ao pronto-socorro e expôs aos presentes os motivos da manifestação. “As informações da prefeitura são oportunistas. Eles tentam confundir a população dizendo que a greve é ilegal”, critica o presidente do Sindicato dos Médicos (Sinmed), Geraldo Ferreira. A greve foi deflagrada após o Sinmed receber a informação de que a Prefeitura não tinha condições de atender o que os médicos propuseram no documento enviado à Câmara. “A greve é ilegal e o município vai “arrochar”, afirma o secretário-chefe do gabinete da prefeita, Kalazans Bezerra. O município começará a cortar o ponto dos funcionários que não retornarem ao trabalho. O Sinmed foi comunicado oficialmente sobre a ilegalidade da greve no final da tarde de ontem. “Nosso setor jurídico analisará a viabilidade da greve a partir de agora”, finaliza Ferreira. Unidades de saúde em Natal são o retrato do descaso A situação dos postos de saúde em Natal é crítica. Faltam medicamentos em todos os locais visitados – Felipe Camarão, Cidade da Esperança e Dra. Sandra Celeste – os laboratórios não funcionam por falta de material e os médicos não recebem por seus plantões. No pronto-socorro infantil Dra. Sandra Celeste, foi possível visualizar o descaso por parte do poder público. “Há mais de 24 horas estamos usando o mesmo lençol nessa maca. Não há papel descartável para trocarmos a cada novo procedimento”, aponta a médica de plantão que pediu para não ser identificada. Uma criança foi examinada e a médica suspeitou que ela tivesse pedra na vesícula. “Como posso fazer um ultrassom se aqui não existe o aparelho? A mãe terá que pagar pelo exame numa clínica”. Em todos os postos faltam medicamentos. Na Cidade da Esperança muitos idosos reclamaram da quantidade de vezes que se deslocam de casa até o posto e nunca conseguem receber a medicação. “Falta captopril, cefalexina. Quem é doente não pode deixar de tomar remédios. Eu não tenho condições de comprar”, desabafa Marilene Alves, 49 anos. Além destes, faltam medicamentos destinados a pacientes em tratamento psiquiátrico, como o diazepam e fluoxetina. Além da falta de remédios, no posto de saúde de Felipe Camarão, uma jovem grávida esperou por atendimento durante cinco horas. “Não tem médico, pediatra, não tem dentista. Já era assim antes da greve, agora está pior”, relata Maria Francisca. No pronto-socorro Dra. Sandra Celeste, mesmo com a greve, os serviços de atendimento estavam sendo feitos normalmente. Algumas crianças com casos mais graves de gripe foram encaminhadas a outros hospitais para os procedimentos de internação. Outras, com problemas mais simples, recebiam medicamentos e eram liberadas. “Temos dois armários com medicamentos que são doados como amostra grátis pelos laboratórios”, diz a médica plantonista. Alguns medicamentos poderiam ser coletados na farmácia do local, muitos outros estão em falta. Semana passada, o secretário de Saúde, Thiago Trindade, informou que a situação da falta de medicamentos será regularizada com a implementação do projeto Farmácia da Gente próximo mês. Bate-papo Kalazans Bezerra» secretário-chefe do gabinete da prefeita Micarla de Sousa O que foi mostrado às promotoras da saúde durante reunião na Promotoria de Justiça? Nós fomos fazer uma apresentação do Plano de cargos, Carreiras e Vencimentos (PCCV) de todos os servidores da saúde, incluindo os municipalizados. Nós apresentamos o mesmo plano que há seis meses vinha sendo discutido com os sindicatos: Sinmed, Sinsenat, Sindsaúde, Sindicato dos Odontólogos e Sindas. Fechamos uma proposta e mandamos para a Câmara dentro de um prazo estabelecido e negociado com os sindicatos que foi o dia 10 de agosto. Os sindicatos apresentaram novas demandas, querendo inserir novos elementos. A gente entende que parte dessas reivindicações extras, o município não tem como atender. Prometemos fazer alguns ajustes, desde que não houvesse impacto nos valores que esse plano terá para a prefeitura. Qual o objetivo do PCCV? O grande benefício para o servidor depois de 20 anos é ter um plano sólido, é ter uma carreira atrativa, é ter um plano que valorize a carreira, é ter segurança para aposentadoria. É esse o objetivo do plano que cria uma data-base, que garante discussões anuais estabelecidas. Nós entendemos que o servidor precisa ter uma segurança na carreira. E os benefícios para os médicos? Os médicos foram os maiores beneficiados. Eles tiveram o maior aumento já registrado em toda a história do município de Natal. Diante de todos os benefícios desse plano, porque os médicos desencadearam essa greve? Essa greve não tem fundamento. É uma questão política. Se a greve não tivesse sido considerada ilegal pela desembargadora Maria Zeneide Barbosa, ela só acabaria no dia 4 de outubro, depois das eleições. É pura política. Há uma pressão do sindicato. O Sr. Geraldo Ferreira abandonou a reunião que fizemos aqui e decidiu fazer a greve que é inoportuna e nem ele consegue explicar o motivo da greve. É injustificada. Qual a posição do município caso os médicos não acabem com a greve, conforme decisão da desembargadora? A greve é definida como ilegal e abusiva. O município vai “arrochar”, pois não admite esse tipo de tratamento com a sociedade. Vamos cortar o ponto e cobrar a multa diária do sindicato. MORTES POR MAL DE ALZHEIMER NO BRASIL CRESCEM 500% EM 10 ANOS Brasília – No Dia Mundial de Combate ao Alzheimer, a associação internacional sobre a doença (Alzheimer´s Disease Internacional - ADI) estima que o número de pessoas com algum tipo de demência ou Alzheimer no mundo deve praticamente dobrar em 20 anos. Atualmente, há 35, 6 milhões de doentes no mundo. Em 2030, devem ser 65,7 milhões, e em 2050, a previsão é de 115,4 milhões de pacientes. A associação, com sede na Inglaterra, alerta que os custos com a doença devem consumir 1% do Produto Interno Bruto (PIB) global de 2010, equivalente a US$ 604 bilhões. De acordo com a associação, depois dos 65 anos de idade, a chance de alguém desenvolver a doença duplica a cada cinco anos. Com 85 anos de idade, as chances são de 50%. Levantamento da Academia Brasileira de Neurologia (ABN), divulgado no final do mês passado, revelou que as mortes por Alzheimer no país passaram de 1.343 em 1999 para 7.882 em 2008, um aumento superior a 500%. O estudo constatou que a demora no diagnóstico correto e o acesso aos remédios adequados dificultam o tratamento. De acordo com a ABN, um paciente demora, em média, mais de três anos para saber que tem o mal de Alzheimer. Uma das causas é o fato de os sintomas da doença, como perda de memória e raciocínio lento, serem interpretados pelos parentes como consequências do envelhecimento e não uma enfermidade. Os especialistas acreditam que 95% das vítimas morrem até cinco anos após apresentar os primeiros sintomas. A maioria das mortes é registrada em brancos e na Região Sudeste, conforme a organização. A doença atinge, geralmente, os idosos. Estima-se que cerca de 5% da população brasileira com mais de 65 anos de idade sofre de Alzheimer, percentual dentro da média mundial. O tratamento está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) a partir de medicamentos de alto custo. Em 2009, o Ministério da Saúde distribuiu 129 milhões de remédios. O Alzheimer é uma doença neurológica degenerativa que afeta a memória, fala e a noção de espaço e tempo da pessoa, provocando apatia, comportamento agressivo e delírios. Um dos primeiros sintomas é perda de memória de fatos recentes. Depois, a fala começa a ser prejudicada. Na fase avançada, o doente tem alucinações, perda do controle das necessidades fisiológicas e dificuldade de se alimentar. Com informações da Agência Brasil. SINDICATO DOS MÉDICOS AGUARDA PARECER JURÍDICO PARA DECIDIR SOBRE GREVE Os médicos da rede pública de Natal, em greve desde o dia 5 de setembro, ainda não se manifestaram sobre a decisão da desembargadora Zeneide Bezerra, que determinou o retorno dos profissionais ao trabalho, proferida na segunda-feira (20). O Sindicato dos Médicos aguarda o parecer da assessoria jurídica do órgão para saber se haverá a possibilidade de permanecer em greve até o julgamento do recurso qu será impetrado. De acordo com o presidente do Sinmed/RN, Geraldo Ferreira, a Justiça só notificou oficialmente o sindicato no fim da tarde desta terça-feira (21) e, por isso, aguarda o parecer do setor jurídico para saber se podem manter a greve. No entanto, a primeira sinalização dos médicos é que o movimento grevista irá permanecer. "A posição inicial do departamento jurídico, que foi exposta ontem em assembleia, é que podemos continuar a greve durante a análise do recurso. Mas eles estão analisando nesse momento o conteúdo da decisão para saber se poderemos continuar a greve. Temos até amanhã (quarta-feira) á tarde para nos posicionar", informou Geraldo Ferreira. DIÁRIO DE NATAL ÁLCOOL E DROGAS // ATENDIMENTO AMPLIADO Portarias do Ministério da Saúde publicadas ontem no Diário Oficial da União instituem, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), os Centros de Atenção Psicossocial de Álcool e Outras Drogas III - 24 horas (CAPS AD III). Entende-se por CAPS AD III o estabelecimento destinado a proporcionar atenção integral e contínua a pessoas com transtornos decorrentes do uso abusivo e da dependência de álcool e outras drogas. Os centros deverão funcionar durante 24 horas do dia, inclusive nos feriados e fins de semana. O incentivo financeiro para implantação dos CAPS AD III será de R$ 150 mil e de R$ 100 mil para a adaptação dos já instalados CAPS AD II, que poderão introduzir novas atividades. IRREGULAR // MEDICAMENTOS APREENDIDOS A Operação Salute, realizada em conjunto pela Polícia Federal e pela Anvisa, apreendeu em três dias, no Sertão nordestino, 20 mil caixas de medicamentos, alguns de uso controlado, desviados do Sistema Único de Saúde e até falsos. Um total de 14 pessoas foram presas em flagrante. De acordo com a polícia esta foi a maior apreensão de medicamentos controlados realizada no país os últimos três anos. Entre os medicamentos sem registro encontrados nos estabelecimentos estão o misoprostol (Cytotec), que é uma medicação usada para úlceras gastro-duodenais, mas com uso abortivo disseminado. A venda droga está proibida pelo Minstério da Saúde porque pode gerar crianças com Síndrome de Möbius. PACIENTES RECLAMAM DE CONDIÇÕES NA JANUÁRIO CICCO Mulher teme ter contraído infecção por causa de suposta falta de higiene na unidade. Direção nega A manicure Antônia Kátia de Oliveira, 36, deu à luz o quarto filho no dia 31 de agosto na Maternidade Januário Cicco. Mesmo com febre e dor lombar, recebeu alta no dia 2 de setembro. A febre e a dor continuaram por mais duas semanas. Só aí Antônia percebeu que alguma coisa estava errada. "Eu estava toda inchada, mas pensei que era normal. Só percebi que alguma coisa estava errada duas semanas depois. Fui para o Hospital Santa Catarina e os médicos me encaminharam para a Maternidade Januário Cicco. Estou internada desde a quarta-feira. Estava com infecção e não sabia". A direção nega os problemas (leia matéria abaixo). Antônia, que falou com a equipe de reportagem por telefone, suspeita que tenha contraído infecção hospitalar depois de usar os banheiros da Maternidade Januário Cicco. Segundo ela, os banheiros estão bastante sujos. Ela também suspeita da demora na troca dos curativos. "Se eu tomar banho agora, às 8h30, eles vão trocar o curativo só às 11h". A manicure afirma que até o médico que a atendeu ficou surpreso com o local da infecção. "Não foram os pontos que infeccionaram. Até o médico se assustou. Ele disse 'infeccionou aí?'". Ainda não há previsão de alta. Enquanto isso, o bebê de Antônia permanece em casa aos cuidados dos familiares. "Ele vem para Maternidade de manhã para eu amamentar e volta à tarde para dormir em casa. Não quero que ele fique aqui não. Tenho medo dele contrair alguma infecção. Não é sou eu. Tem mais gente com medo aqui. O caso foi sério. Passaram esses dias todos e eu ainda estou aqui. Ninguém me disse quando vou ter alta. Pergunto e eles dizem que não tem previsão. Estou tomando vários medicamentos. Estou tomando medicamentos até para pressão, porque estou muito nervosa. Estou com medo de contrair outra infecção". Sem saber quando receberá alta, a manicure, que tem outros três filhos, fica preocupada com o bem estar do filho recém nascido. "Ele vem hoje e não sei se vai querer mais o meu peito".Problema antigo Antônia Kátia não é a única que reclama da falta de limpeza dos banheiros da Maternidade. A diarista Sandra Maria do Nascimento, 35, deu à luz o segundo filho na noite desta segunda-feira e deverá receber alta nesta quarta. Há 12 anos, deu entrada na Maternidade Januário Cicco pela primeira vez para dar a luz ao primeiro filho. Passado todo este tempo, ela diz que a situação dos banheiros não mudou. "Os banheiros são sujos demais. Há 12 aos tive minha filha aqui. Não mudou nada. Agora voltei e está pior. Está tão sujo que dá para contrair até infecção. É um absurdo". MP À FAVOR DE NOVO CRÉDITO PARA A SAÚDE Promotoras afirmam que setor está "à beira do colapso" por falta de aprovação de mais recursos pela Assembleia O Ministério Público emitiu parecer favorável ao pedido de liminar feito pelo governo do estado ao Tribunal de Justiça do RN, para que sejam abertos créditos suplementares de até 3% para a Saúde, mesmo sem a aprovação da Assembleia Legislativa. O órgão fiscalizador publicou, ontem, uma nota, com informações da Promotoria de Justiça de Defesa da Saúde, declarando que a Saúde está à beira de um colapso. Segundo as promotoras, Iara Pinheiro e Elaine Cardoso, até o momento, os deputados não se manifestaram sobre o tema, o que, segundo elas, põe em risco a continuidade dos serviços oferecidos à população. O deputado estadual Fernando Mineiro (PT), líder do governo na Casa, disse que lamenta a "omissão" dos parlamentares e o fato do assunto ter ido parar da Justiça. Na petição, o MP ressalta que de acordo com levantamento feito recentemente "a Secretaria Estadual de Saúde encontra-se em situação de extrema limitação orçamentário-financeira, fato que tem impedido a conclusão de procedimentos de compra de medicamentos e insumos, bem como deixando totalmente sem perspectiva a conclusão do ano quanto à garantia do direito à saúde". A nota informa que as promotoras tiveram prova disso durante uma vistoria realizada no último dia 13, no Hospital Walfredo Gurgel. De acordo com as promotoras, a Sesap dispõe de pouco mais de R$ 25 milhões para o restante do ano, mas desse montante R$ 23 milhões estaria comprometido com despesas que não permitem remanejamento, como revisão e aprimoramento do plano de cargos, carreiras e salários dos servidores da saúde e manutenção e funcionamento. Sob esses argumentos, as promotoras reforçam o pedido de concessão de suplemento orçamentário, alegando "a Secretaria Estadual de Saúde está a beira de parar suas atividades, uma vez que pouco mais de R$ 2 milhões em orçamento não são suficientes para manter em funcionamento a rede hospitalar estadual, composta de 23 hospitais no estado, devidamente abastecidos de medicamentos e material médico-hospitalar". Mensagem nº 172/2010, foi encaminhado à Assembleia no dia 15 de agosto e está parada na Comissão de Fiscalização e Finanças. Segundo o deputado estadual Fernando Mineiro, pelos prazos regimentais, esse projeto já deveria está com um parecer da Comissão. "Cada Comissão só pode ficar 15 dias com uma matéria. Mas a Casa decidiu não colocar matérias em votação durante esse processo eleitoral. Por isso o governo foi obrigado a recorrer à Justiça. É lamentável, essa judicialização dessa questão orçamentária. Mas, se a Assembleia se omite é preciso recorrer. Oestado é que é prejudicado", disse Mineiro. O MOSSOROENSE INSTALAÇÃO DE MAIS 21 LEITOS DE UTI EM MOSSORÓ DETERMINADA PELA JUSTIÇA FEDERAL É INSUFICIENTE O diretor da Casa de Saúde Dix-Sept Rosado, André Gustavo Pinheiro Neo, afirmou: "Mesmo a quantidade adicional de leitos exigida pela Justiça Federal é insuficiente". Ele fala da ação civil conjunta dos Ministérios Públicos Federal e Estadual da semana passada, que conseguiu garantir o aumento de UTI - Unidade de Terapia Intensiva - em Mossoró: Governos Federal, Estadual e Municipal estão obrigados a instalarem nove unidades adicionais para adultos, seis para pediatria e seis para neonatal. A falta de leitos, principalmente pediátricos e neonatais, é emergencial, de acordo com André. O diretor conta que há pouco mais de um mês, dois recém-nascidos chegaram à Casa de Saúde sem nenhum acompanhamento. "Não tinha enfermeira, soro, nada. Só conseguimos salvar um dos bebês". Pela média de atendimentos diários, ele afirma que, mesmo com os leitos exigidos, a quantidade será insuficiente. "Há picos de atendermos até nove bebês em estado grave por dia". Casos semelhantes ocorrem também com adultos, como o comerciário Layon Andrade. Após um acidente automobilístico, ele se internou no Hospital Regional Tarcísio Maia em estado grave. Pela falta de leitos, teve que ser transferido para um hospital particular. "Na hora, para salvar minha vida, fui para lá, mas até hoje não tive condições de pagar o atendimento". Mas o problema não é só esse: "Não havia nem UTI particular. A que consegui foi a única que minha família encontrou na época. Ligaram para quase todos os hospitais particulares, mas eles também não tinham leitos. Só encontraram um em toda a cidade". Para o diretor André Pinheiro, a falta de uma Central de Gerenciamento de Vagas colabora não só para piorar a situação, como também para traçar um diagnóstico preciso da situação. "A Secretaria Municipal de Saúde não faz esse balanço; ou, se faz, não entrega para a diretoria do hospital. E isso seria necessário para saber quantos leitos realmente são necessários para Mossoró, porque os hospitais da cidade atendem provavelmente a mais de 60 municípios". Durante todo o dia, a reportagem tentou ligar para a titular da Secretaria Municipal de Saúde, a contabilista Jaqueline Amaral, para saber quais as providências que estão sendo tomadas pelo Executivo, mas não obteve êxito. JORNAL DE FATO MS CREDENCIA 10 NOVOS LEITOS DE UTI O Ministério da Saúde (MS), através da Secretaria de Atenção à Saúde, credenciou 10 novos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para Mossoró. A portaria foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) no último dia 14 e os leitos para recebimento de pacientes adultos funcionarão no Hospital Wilson Rosado, possivelmente a partir do próximo mês. O credenciamento vem em boa hora, na medida em que os Ministérios Públicos Federal e Estadual moveram ação e a Justiça Federal determinou a ampliação do número de leitos de UTI na rede pública de saúde em Mossoró, tornando réus a Prefeitura de Mossoró, o Governo do Estado e o Governo Federal. De acordo com a sentença, os réus devem promover, em conjunto, a instalação de novas unidades dedicadas aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), observando a quantidade mínima de nove leitos adicionais para adultos, seis de UTI pediátrica e outras seis unidades para atendimento neonatal. Tal medida deve ser tomada até o final de 2010, ainda que, excepcionalmente, seja necessária a contratação de leitos em hospitais particulares para suprir a demanda. De acordo com a gerente municipal da Saúde, Jaqueline Amaral, agora são 16 os leitos credenciados no Hospital Wilson Rosado, totalizando 33 em todo o município, somando com os oito leitos da Casa de Saúde Dix-sept Rosado - três neonatal - e mais nove do Hospital Regional Tarcísio Maia (HRTM). Dessa forma, o público adulto estará atendido dentro do que foi determinado pela Justiça Federal. Jaqueline Amaral informou que os gastos com a manutenção das UTIs chegam a R$ 5,5 milhões por ano, destacando ainda que o número de leitos em Mossoró subiu de 14 para 33 em menos de dois anos. O compromisso agora é instalar as UTIs infantis, já que apenas três se encontram instaladas no momento e doze devem constar até o final do ano. Jaqueline Amaral garantiu que a Prefeitura vai trabalhar para cumprir os prazos determinados pela Justiça Federal. "O Município está fazendo a sua parte, inclusive complementando o pagamento das UTIs em funcionamento", ressaltou. O coordenador de planeja-mento e controle dos serviços da saúde da secretaria estadual da Saúde, José Renato, declarou que cabe ao Município iniciar todo o processo para atender o que foi determinado pela Justiça Federal. José Renato informou que está aguardando o envio de equipamentos e também a habilitação da Maternidade Almeida Castro pelo MS para a instalação de novas UTIs neonatal. Porém, ele procurou eximir o Estado de responsabilidade, afirmando que "o Estado é apenas um ente no meio desse processo, que apenas reconhece os serviços montados pelo Município". SECRETARIA DE SAÚDE ESTÁ SEM RECURSOS E AMEAÇA FECHAR AS PORTAS Mais uma crise se instala na saúde do Rio Grande do Norte. A Secretaria Estadual de Saúde (SESAP) corre o risco de fechar as portas por falta de recursos para procedimentos básicos. O assunto veio à tona ontem, depois de publicado no site do Ministério Público do Estado, através da Promotoria de Justiça de Defesa da Saúde em Natal, que entrou com um mandado de segurança com liminar contra a Assembleia Legislativa, que ainda não votou um pedido de suplementação orçamentária feita pelo Governo. A Promotoria de Justiça afirma que a Sesap só dispõe de R$ 25 milhões para manter os serviços, mas desse montante R$ 23 milhões estariam comprometidos com despesas que não permitem remanejamento, como revisão e aprimoramento do plano de cargos, carreira e salários dos servidores da saúde e manutenção e funcionamento. Diante da situação, o Governo enviou projeto de lei à Assembleia Legislativa para que fosse autorizada a abertura de créditos suplementares para Saúde de até 3% do Orçamento Geral do Estado ainda para este ano, que pode chegar a R$ 90 milhões. No entanto, segundo o MP, até o momento não teria havido nenhuma manifestação por parte dos deputados sobre o tema, o que põe em risco a continuidade dos serviços oferecidos à população. Assim, a Promotoria ratifica o pedido de concessão de suplemento orçamentário, sob argumentos de que "a Secretaria Estadual de Saúde está à beira de parar suas atividades, uma vez que pouco mais de R$ 2 milhões em orçamento não são suficientes para manter em funcionamento a rede hospitalar estadual, composta de 23 hospitais situados ao longo do território do Estado, devidamente abastecidos de medicamentos e material médico-hospitalar", diz o documento. De acordo com levantamento feito recentemente pela Promotoria e descrito na petição, "a Secretaria Estadual de Saúde encontra-se em situação de extrema limitação orçamentário-financeira, fato esse que tem impedido a conclusão de procedimentos de compra de medicamentos e insumos, bem como deixando totalmente sem perspectiva a conclusão do ano quanto à garantia do direito à saúde". No último dia 13, membros da Promotoria estiveram no Hospital Walfredo Gurgel, quando foi constatada a situação crítica de atendimento e a falta de medicamentos e insumos. O Ministério Público pede que a Justiça acate o pedido liminar da Procuradoria Geral do Estado para suprir a omissão do Poder Legislativo e autorizar a abertura dos créditos suplementares. RECESSO PARLAMENTAR De acordo com o assessor de imprensa da presidência da Assembleia Legislativa, Luis Henrique, a mensagem enviada pelo Governo está tramitando na Casa há menos de 15 dias e/ou passará por pelo menos duas comissões ou será aprovada direta. Porém, ele alerta que a Casa tem um regimento e essa aprovação depende de algumas questões, como a aprovação de todos os líderes de partido com assento na comissão de líderes. Luiz Henrique alerta ainda que foi decretado um recesso branco nesta semana ou na próxima e certamente a matéria só poderá ser votada com o retorno dos trabalhos. Assessoria de Comunicação do Cremern Telefone: 4006-5343 Contatos: Casciano Vidal: 9990-1473 Ana Carmem: 9909-4100
 
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