A última atividade do I Fórum de Pediatria do CFM foi a mesa redonda “Residência em Pediatria”, que teve como moderador o vice-corregedor do CFM, pediatra Celso Murad. O primeiro palestrante foi o vice-presidente da Sociedade de Pediatria de São Paulo e conselheiro do Cremesp-SP, Clóvis Francisco Constantino, que falou sobre a situação atual da Residência em Pediatria. Constantino falou sobre as mudanças recentes nas Diretrizes Curriculares Nacionais dos cursos de medicina, a ampliação no número de vagas nas residências médicas – em pediatria, as vagas subiram de 1.476 em 2013 para 1.734 em 2014, e a obrigatoriedade do pré-requisito em Medicina Geral de Família e Comunidade para a maioria das outras especialidades.

“A quem interessa essas mudanças curriculares?”, questionou Constantino, que também criticou o aumento no número de vagas nos cursos de medicina. “Se não houver uma carreira de Estado para o médico, quem vai absorver todo esse contingente de médicos? Qual vai ser a remuneração dos futuros profissionais?”, ponderou. Acesse a apresentação aqui.

A palestrante seguinte foi a coordenadora da Residência Médica em pediatria do Hospital Universitário Pedro Ernesto, Christianne d’Almeida Martins, que buscou responder o questionamento “O currículo atual é suficiente?”. Christianne explicou como está dividida a carga horária no currículo atual, com duração de dois anos, e explicou o que estará contido na nova proposta, que terá duração de três anos. No novo currículo, a saúde mental terá um conteúdo explícito e obrigatório, a adolescência terá uma carga horária ampliada e as doenças crônicas serão obrigatoriamente incluídas, treinamentos em neonatologia ganham mais tempo e a puericultura será aprofundada, com ênfase ao meio ambiente. “O conteúdo vai abranger a atenção primária, secundária e terciária da criança e do adolescente”, resumiu.

Christianne Martins questionou a necessidade de o residente em pediatria ter de cursar, como pré-requisito, um ano de Medicina Geral de Família e Comunidade. “As competências exigidas para a capacitação na Atenção Básica em Saúde já não estariam incluídas no novo currículo de 3 anos da Pediatria? Serão necessários 4 anos para formar um pediatra?”, questionou. Ela acredita que a partir de 2019, quando estiver em vigor a exigência do pré-requisito poucos serão os candidatos a residência médica em pediatria. Acesse a apresentação aqui.

O palestrante seguinte foi o pediatra, ex-chefe do setor de pediatria do Hospital Federal dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro e conselheiro do Cremerj, Gil Simões Batista, que falou sobre “Preceptoria e Supervisão” e defendeu uma melhor definição dessas atividades. “Comecei trabalhando como plantonista e sempre orientando residentes. Era ou não, preceptoria? Sim. Preceptor é todo médico que trabalha num serviço com residência médica e que ajuda na formação desses profissionais”, ponderou. 

Apesar de a Resolução nº 2 do Conselho Nacional de Residência Médica (CNRM) trazer uma definição sobre preceptoria e supervisão, Gil Simões defendeu uma definição melhor das funções do supervisor, preceptor, tutor e mentor. “Essa definição vai permitir uma valorização maior dos profissionais que hoje fazem o importante papel de orientar os futuros especialistas”, afirmou. Ao final, o conselheiro do Cremerj apresentou algumas propostas para a valorização do supervisor e do preceptor, como o acesso ao Portal do Capes para todos os médicos dos serviços que contem com programa de Residência Médica; intercambio entre os diferentes Serviços que contem com programa de residência médica, em uma mesma especialidade, permitindo a atualização dos preceptores e o piso FENAM para o salário do preceptor e de todos os médicos (R$ 10.991,19 para 20 horas semanais de trabalho). Um resumo da apresentação pode ser acessado aqui.

Ao final do Fórum, o coordenador da Câmara Técnica de Pediatria, conselheiro Sidnei Ferreira, leu todas as sugestões que foram apresentadas durante o I Fórum e que serão encaminhadas para as autoridades competentes. Entre as propostas, está a da retirada do pré-requisito da residência em Medicina Geral de Família e Comunidade para a especialização em pediatria, já que as competências exigidas para a capacitação na Atenção Básica em Saúde já estariam incluídas no novo currículo de 3 anos da Pediatria. 

Na avaliação do 2º secretário do CFM, o I Fórum foi muito positivo. “Tivemos a participação de cerca de 100 pediatras, entre lideranças das sociedades de pediatria e dos conselhos regionais, além de muitos preceptores e professores de universidades, todos interessados em melhorar a qualidade da Graduação e Residência Médica em pediatria e as condições de trabalho, salário e carreira do pediatra”, afirmou Sidnei Ferreira. “As discussões também foram muito produtivas, pois ao final de cada palestra era dada a oportunidade para a plateia se manifestar através de perguntas, comentários e trocas de experiência”, comentou.

As propostas aprovadas ao final do Fórum serão compiladas e o documento, após passar por todas as instâncias que terá de percorrer, deverá ser encaminhado para o Ministério da Saúde, os governos estaduais, prefeituras, secretários de saúde, legislativo e judiciário. Além disso, será divulgado entre as entidades envolvidas com a medicina, o ensino e o trabalho médico.

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