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TRIBUNA DO NORTE MÉDICOS RECLAMAM DE INTERFERÊNCIA São Paulo – Pelo menos nove em cada dez médicos paulistas dizem sofrer interferência dos planos de saúde em sua autonomia profissional, aponta pesquisa do Datafolha feita a pedido da Associação Paulista de Medicina (APM). Entre as reclamações estão recusa de pagamento de serviços prestados e pressão das operadoras para diminuir o número de exames e o tempo de internação. Em uma escala de zero a dez, os 403 médicos entrevistados deram nota média de 4,7 para os convênios. Um dos fatores que deixou o resultado abaixo da média foi o valor do honorário médico pago pelas empresas. Mal remunerados e ameaçados de descredenciamento pelas operadoras caso não reduzam os exames, o tempo de internação e a prescrição de procedimentos e medicamentos de alto custo, os médicos ficam impossibilitados de prestar um serviço de qualidade ao usuário dos convênios, afirma o presidente da APM, Jorge Carlos Machado Curi. “O setor de saúde suplementar está entrando em colapso. O paciente compra um plano esperando atendimento e, ou não recebe esse atendimento, ou o recebe de forma parcial”, diz. O secretário do Conselho Federal de Medicina Desiré Callegari diz que muitos médicos são denunciados aos conselhos regionais por má prática da medicina porque não conseguem exercer sua autonomia. “Muitas vezes deixam de pedir um exame de alto custo essencial para o diagnóstico, por exemplo, porque estão reféns do sistema. Se eles se insurgem contra os planos são desligados e não têm a quem reclamar “, diz. O cirurgião vascular Francisco Osse não faz consultas por convênio há mais de dez anos. “Os convênios não repassam os ajustes que fazem às mensalidades e exigem que o médico trabalhe sem qualidade de atendimento”, afirma. “Dizem que se não diminuir (a quantidade de procedimentos pedidos), vão excluir o médico ou a clínica do seguro.” A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) é o único órgão que fiscaliza o trabalho das operadoras de saúde, mas ela tem poder apenas para interferir na relação entre as empresas e seus consumidores, explica a advogada Rosana Chiavassa. “A lei não autoriza a ANS a regular a relação dos planos com os médicos, clínicas, laboratórios e hospitais.” Embora a agência não tenha autonomia para interferir no valor do honorário pago ao médico, continua Rosana, pode punir as operadoras que se negam a cobrir exames e procedimentos. “Mas o médico precisa ter coragem de denunciar”, diz. “O médico até poderia se negar a trabalhar nesse sistema, mas é o único sistema de saúde suplementar que existe”, diz Callegari. Para o secretário do CFM, “passou da hora” de o governo federal dar poderes à ANS para que possa regular o setor. A Federação Nacional de Saúde Suplementar em nota, disse que “suas afiliadas não fazem restrição ao acesso a serviços – como internações e exames – desde que estejam previstos em contrato. Ortopedistas também se queixam São Paulo (AE) – A Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) está promovendo fóruns em todas as capitais brasileiras para discutir a influência dos planos de saúde no trabalho dos ortopedistas. Os últimos encontros devem ser realizados em outubro e a iniciativa culminará com um fórum nacional para o qual a Associação Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que fiscaliza as operadoras, deverá ser convocada. As queixas desses especialistas estão em sintonia com os resultados do estudo encomendado pela Associação Paulista de Medicina (APM), que mostrou que 90% dos médicos paulistanos dizem sofrer interferência dos planos de saúde em sua autonomia profissional. No caso dos ortopedistas, segundo o médico Robson Azevedo, diretor da Comissão de Defesa Profissional da SBOT, essa interferência tem sido constante e traz prejuízos principalmente para os pacientes. “Estamos passando por um momento delicado quanto à nossa relação com as operadoras de saúde”, diz. Azevedo explica que os auditores dos planos, que analisam e aprovam os pedidos dos médicos, têm cometido abusos com a intenção de tentar minimizar os gastos. “A ingerência é tanta que algumas operadoras chegam a oferecer bonificações para médicos que pedem menos exames.” REFERÊNCIA EM SAÚDE MASCULINA O Brasil foi definido, por 11 países das Américas, como referência em política pública de saúde voltada à população masculina. E, por solicitação conjunta dessas nações, o Ministério da Saúde vai ajudar os vizinhos a desenvolverem políticas semelhantes à estratégia brasileira. O pedido foi feito ao final de encontro internacional, realizado em Brasília, que reuniu representantes do Chile, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Colômbia, Peru, Equador, Costa Rica, México, Guatemala e Canadá, além do Brasil. O interesse desses países demonstra que a saúde da população masculina entrou na agenda de prioridades deles, a exemplo do que fez o governo brasileiro, em agosto do ano passado, ao lançar a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem. O objetivo é criar uma rede de prevenção e atenção à saúde dessa parcela da população, fortalecendo a estratégia no continente americano. Na América Latina, o Brasil desponta como pioneiro nessa ação. Em todo o mundo, só três países tomaram a decisão de implementar políticas focadas na prevenção e promoção à saúde masculina: Brasil, Austrália e Irlanda. Com realidades semelhantes (principalmente nas Américas Central e do Sul), os 11 países fizeram – durante o I Seminário Internacional de Saúde do Homem nas Américas – um diagnóstico da saúde de suas populações masculinas. A conclusão é que, quando o assunto é saúde, “os homens são mesmo todos iguais”; ou seja, resistentes a prevenir e a cuidar da saúde e da qualidade de vida. A violência e os acidentes de trânsito são as questões de saúde pública, relacionadas à população masculina, que mais preocupam esses 12 países. Essas são as maiores causas de morte entre os homens na região na faixa etária entre 20 e 24 anos. “A prevalência de mortes entre os jovens tem motivo. A ‘masculinidade’ do homem das Américas é construída a partir de uma cultura de autossuficiência, o que os faz sentirem-se invulneráveis e a correr mais riscos”, analisa José Luiz Telles, diretor do Departamento de Ações Programáticas e Estratégicas (Dapes) do ministério, área responsável pela Coordenação de Saúde do Homem. Homem resiste a procurar o médico No Brasil, por exemplo, violência e acidentes de trânsito são responsáveis por 41% das mortes na faixa etária entre 20 e 24 anos. Entre os homens brasileiros, 82% das vítimas de morte por acidente de trânsito acontecem nesse grupo. Considera-se que, por motivos culturais, os homens têm mais resistência a procurarem cuidados médicos e a terem atitudes preventivas com relação a problemas de saúde. Segundo estudos do Ministério da Saúde, a população masculina geralmente procura os serviços de saúde por meio da atenção especializada, já com o problema de saúde detectado e em estágio de evolução. “E, muitos deles também não seguem os tratamentos recomendados”, observa José Luiz Telles. Indicadores mostram que os homens têm hábitos de vida menos saudáveis e estão mais suscetíveis a fatores de risco para doenças crônicas. Na população brasileira, por exemplo, 15% das pessoas fumam. Entre elas, 19% são adultas do sexo masculino, enquanto 12% são do sexo feminino, segundo a pesquisa Vigitel/2009. O estudo também mostrou que 18% dos homens não praticam nenhuma atividade física, contra 9% das mulheres. Em grande parte dos países americanos, esse cenário pode ser explicado pelo processo de desenvolvimento econômico e urbanização, acarretando mudanças estruturais de estilo de vida e comportamento. Cresceu significativamente, por exemplo, o número de automóveis em circulação. Essa realidade contribuiu para o aumento do sedentarismo, da violência urbana e do uso de álcool e de drogas, o que provocou o aumento de doenças crônicas não transmissíveis: as doenças cardiovasculares, respiratórias e do aparelho digestivo (principalmente nas faixas etárias superiores a 35 anos de idade), além das neoplasias. No Brasil, na faixa etária de 18 e 50 anos, morrem três vezes mais homens do que mulheres. De forma geral, a população do sexo masculino morre entre 5 e 8 anos mais cedo do que a feminina. “Eles estão mais expostos a acidentes de trânsito e de trabalho. Por isso, os homens apresentam mais problemas de saúde do que as mulheres e vivem, em média, 7,6 anos menos”, explica Telles. Vasectomia pelo SUS cresce 75% em sete anos Depois de ampliar o acesso da população masculina à rede pública de saúde, a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem – que este ano completou um ano – tem agora um novo desafio. Paralelamente às ações de incentivo ao aumento da quantidade de procedimentos urológicos no SUS – como exames e cirurgias de próstata, vasectomia e fimose – a Política está estimulando os futuros pais a fazerem um check up durante o pré-natal da parceira. A ideia é que os profissionais de saúde aproveitem o momento em que o homem está mais sensível – às vésperas de ser pai – para incentivá-lo não só a acompanhar as consultas durante os nove meses de gestação da parceira como também a realizarem exames preventivos. O princípio é: ele precisa se cuidar para cuidar da família. “É uma estratégia que estamos difundindo entre as secretarias municipais de Saúde”, informa José Luiz Telles. Dados mostram o avanço da participação masculina no planejamento familiar e o crescimento da quantidade de exames de próstata realizados no SUS. Em sete anos, a quantidade de vasectomias feitas pelo SUS cresceu 79%. O número de cirurgias saltou de 19.103, em 2003, para 34.144, em 2009. Durante o lançamento da política, ano passado, o ministério aumentou em 148% o valor pago por procedimento em ambulatório (de R$ 123,18 para R$ 306,47) e em 20% o valor por operação feita com internação (de R$ 255,39 para R$ 306,47). ESTE TEMOR MASCULINO Dr. Jorge Boucinhas [ médico e professor da UFRN ] Continuando com os interessantes tópicos brindados pela glândula prostática, já vistos seus dados básicos e sua importância para a saúde, em especial no que tange à comuníssima Hiperplasia Prostática Benigna (HPB), passa-se, hoje, ao também momentoso assunto das prostatites. A denominação engloba quaisquer condições associadas a inflamação/infecção da glândula. Ocorrem raramente em indivíduos jovens, apresentam-se com grande frequência em homens adultos, sua incidência guardando verdadeira relação de proporcionalidade direta com o progredir da idade. Estima-se que sejam responsáveis por um quarto das consultas médicas referentes ao aparelho gênito-urinário realizadas por homens dos países mais desenvolvidos, sendo que as formas crônicas acometem de 10 a 15% dos homens de todas as idades e raças. De fato, parecem, até, ser as afecções urológicas mais comumente diagnosticadas em homens. Metade deles, ao chegarem à fase adulta, tê-las-ão apresentado pelo menos uma vez. na vida. No mais das ocasiões são causadas por bactérias ou outros microrganismos infectantes (vírus, fungos) que atinjam a próstata oriundos de bexiga, rins, intestinos, sangue, ou provindo de um contato sexual com uma pessoas infectada (o emprego de camisinha durante o ato sexual pode aí ser um ótimo recurso preventivo). Uma outra causa de prostatite pode ser a já revista HPB, que pode provocar um refluxo da urina após o ato da micção, fazendo com que esta penetre no canal prostático. Agentes químicos nela presentes levam à irritação dos tecidos glandulares, elicitando uma inflamação. De modo geral, o risco de uma prostatite aumenta em pessoas que: tiveram algum instrumento (médico ou não) inserido no trato urinário; praticam sexo anal; possuem alguma anormalidade anatômica no mesmo trato; tiveram frequentes cistites infecciosas; desenvolveram HPB. A bactéria mais comumente encontrada em prostatites infecciosas é a chamada Escherichia coli, também a mais encontradiça em infecções do aparelho urinário. Outros organismos são os bastonetes gram-negativos e os enterococos (germes encontrados no trato intestinal). Microorganismos causadores de doenças sexualmente transmissíveis também são responsáveis por prostatites, principalmente as da forma aguda, sendo que o gonococo foi no passado importante agente etiológico. Como sintomas pode-se ter ardor ou dor ao urinar, aumento do número de micções, dor na musculatura do períneo. Menos comumente aparece secreção uretral. Nas prostatites agudas, o quadro clínico é mais intenso, com ocorrência de mal estar geral, estado febril, dores musculares e dor abdominal. Nas crônicas os sintomas são mais suaves, com desconforto perineal (por vezes estendendo-se às regiões testicular e lombo-sacra), aumento do número de micções (quer diurnas quer noturnas), diminuição da libido (muitas vezes não se sabendo as reais causas ocultas!), ejaculação dolorosa. O diagnóstico exige um exame físico para serem descartadas outras patologias que possam estar provocando os mesmos sintomas, e um toque retal mostrará uma próstata dolorosa (embora na prostatite crônica ocasionalmente tal possa não ocorrer). Exames de urina mostrarão a presença de bactérias, de glóbulos brancos (leucócitos), de pus e, eventualmente, de sangue (hematúria). A urocultura com antibiograma identificará o germe e orientará a escolha do antibiótico. A ultra-sonografia e a radiologia não acrescentam muito mais. O tratamento dos casos de etiologia bacteriana é classicamente feita tendo por base o uso de antibióticos. Existem situações nas quais nenhuma bactéria é encontrada e os sintomas são semelhantes aos da prostatite crônica. Tal prostatodinia seria uma situação na qual os sintomas se assemelham aos prostatite mas nenhum agente infeccioso é encontrado, crendo-se suas causas serem de espasmos da musculatura perineal até estresse emocional. A tendência atual é de se a denominar Sindrome Dolorosa Pélvica. O paciente fica ansioso e troca de médico sem sucesso, pois sofre é desta dor pélvica crônica de difícil tratamento. Banhos de assento mornos, atividade sexual regular, evitar ciclismo, anti-inflamatórios, tranquilizantes ou antidepressivos, antibióticos (às cegas!) e eletroestimulação perineal já foram utilizados nessa síndrome, o que por si só já mostra a ineficiência de uma única terapia. O ainda mais premente e, por que não dizer assim, algo assustador, assunto dos tumores malignos prostáticos fica para a próxima semana. Até lá! TRANSTORNO DE PERSONALIDADE BORDERLINE? Hilton Marcos Villas Boas [ psiquiatra ] Para entendermos o que é o Transtorno de Personalidade Borderline, inicialmente devemos entender o que vem a ser um Transtorno de Personalidade. Os Transtornos de personalidade caracterizam-se por atingirem de uma forma geral, todas as áreas do cérebro, que de alguma maneira influência na personalidade do indivíduo, ou seja, no seu comportamento social, na sua maneira de expressar as emoções e na concepção de ver o mundo. Podemos dizer que os portadores desse tipo de transtorno, possuem uma adaptação inadequada à vida, que normalmente vão acabar, em algum momento, prejudicando a si mesmos e/ou aos que os cercam. Atualmente a melhor maneira de entendermos tais transtornos, além das características acima citadas acima, tidas como principais, é estudarmos os subtipos de transtorno de personalidades patológicas, porque podemos nos deparar, com situações diferentes e até mesmo antagonistas, para tais transtornos. Portanto, o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), também conhecido como Transtorno de Personalidade Limítrofe (TPL), apesar de poder ser traduzido como “fronteiriço”, necessariamente não se refere à fronteira entre um estado de sanidade mental considerado “normal”, e um estado psicótico. O termo borderline (fronteiriço), é empregado nesse caso em específico, para definir um indivíduo com uma instabilidade constante do humor. A sua prevalência na população geral, não é considerada alta, por exemplo, nos EUA estima-se que tal transtorno, acomete por volta de 02% da população, com uma frequência bem maior no gênero feminino. Os portadores do TPB apresentam um quadro clínico, com uma “riqueza” de sintomas e sinais, dentre os quais relacionamos abaixo, aqueles que consideramos de maior importância para o conhecimento, dos leitores, ressaltando que para um diagnóstico de TPB, não se faz necessário o indivíduo ter todos esses sintomas: – medo absurdo de ser abandonado (sentimento interno de um exagerado temor, chegando mesmo a ser angustiante, o sentimento de nunca se sentirem sozinhos, rejeitados e/ou sem apoio); – muita inabilidade ou dificuldade em administrar suas emoções; – impulsividade; – humor exageradamente instável (ansiedade, irritabilidade, auto e hetero agressividade, depressão, ciúme doentio), com flutuações que podem ser de minutos, horas até dias, diferentemente das que ocorrem no Transtorno Afetivo Bipolar (TAB), que demoram muito mais para ciclarem de um quadro depressivo, para uma euforia; – comportamento autodestrutivo (se: machucar, cortar e/ou queimar); – possibilidade de tentativas de suicídio, sendo nesse transtorno, a tentativa de suicídio mais por um impulso, do que aquela planejada; – mudanças frequentes de: curso, atividade profissional, projetos pessoais, círculos de amizade e de opinião; – autoestima baixa, pois são indivíduos que se acham sempre desvalorizados, com um vazio existencial imenso, incompreendidos e nada do que fazem é bom o suficiente; – a visão de si mesmos é muito complexa, não tem objetividade; – são pessoas de uma imensurável impulsividade; – apaixonam-se fulminantemente, com uma velocidade incrível, assim como também se desapaixonam; – da mesma forma que se apaixonam, desenvolvem uma admiração por alguém, instantaneamente, e na mesma velocidade se desencantam com a mesma pessoa; – são muito sensíveis a qualquer possibilidade de serem rejeitados (qualquer pequena rejeição pode ser um estopim, para um verdadeiro caos emocional); – a confusão criada entre o desejo por alguém, e a não correspondência desse alguém, em atitudes comuns do cotidiano, pode ser o suficiente para um relacionamento muito conturbado, e até para o rápido rompimento do relacionamento, e o rápido envolvimento em um novo relacionamento, com as mesmas expectativas de correspondência; – muito raramente surgem episódios de psicose, como a sensação de estarem sendo satirizados, injustiçados, perseguidos, observados etc.. Além dos sintomas acima, vale registrar que os portadores de TPB, em relação população geral, possuem um aumento de risco para terem como comorbidade (outra doença associada): transtornos alimentares (comer compulsivo, bulimia nervosa, anorexia), sexo promiscuo, violência sexual, comprar compulsivo, depressão, transtornos de ansiedade, transtorno afetivo bipolar, abuso de substâncias, violência, abusos e abandonos (devido à impulsividade, que não permite um senso crítico mais acurado, para a convivência com parceiros) e outros transtornos de personalidade. A etiologia (causa), que origina tal transtorno, assim como nas demais patologias psiquiátricas, não é apenas uma, mas sim um conjunto de fatores (multicausal). A genética, como sempre esta presente, o indivíduo já vem com uma predisposição individual para desenvolver o transtorno, que associada a experiências psicológicas negativas na infância (maus tratos, negligência, abuso sexual, pressão psicológica negativa, órfãos, pais separados) e um ambiente social desfavorável, formam um campo fértil para o afloramento do transtorno. O início do TPB, normalmente ocorre com a manifestação dos primeiros sintomas, associado ao final da adolescência e início da fase adulta. Quanto à evolução clínica do TPB, podemos considerar que são fatores de melhor prognóstico: uma boa estrutura de relacionamento familiar, profissional, afetivo; socialmente ser um indivíduo participativo de clubes, associações artísticas, culturais/esportivas, igrejas, e outras atividades afins; ausência ou baixa prevalência de auto ou hetero agressividade; ausência de tentativa de suicídio; ser casado; ter filhos e ausência de promiscuidade. Até a próxima, e um bom final de semana a todos. DIÁRIO DE NATAL A CHAVE DA AUTOCONSCIÊNCIA Pessoas com maior capacidade de introspecção têm mais densidade da chamada substância cinzenta Cientistas britânicos podem ter encontrado a chave do conhecimento de um ser sobre si mesmo. O segredo da introspecção, da autoconsciência, está numa área muito pequena do córtex pré-frontal do cérebro, atrás dos olhos. Em entrevista, o britânico Geraint Rees – diretor do Instituto de Neurociência Cognitiva da University College London (UCL) – contou que ele e sua equipe usaram imagens de ressonância magnética estrutural (MRI, pela sigla em inglês) para determinar se alguma região cerebral específica mostrava correlação entre sua estrutura e o nível de introspecção de um paciente. “Descobrimos que o córtex pré-frontal apresentou forte associação entre a densidade da substância cinzenta e a capacidade de introspecção”, explica Rees, autor da pesquisa publicada pela revista científica Science. “Quanto mais introspectivos os voluntários eram, mais substância cinzenta possuíam nessa área do cérebro”, acrescenta. Medir o nível de autoconsciência ou de introspecção de um indivíduo era um dos maiores desafios para os neurocientistas até que Rees propôs um teste a 32 pessoas. Cada uma delas veria dois monitores contendo seis figuras: em apenas uma das telas, uma das imagens seria mais brilhante que as restantes. “Pedimos que elas repetidamente detectassem um alvo tênue. Antes que disséssemos se estavam ou não corretas na detecção do alvo, solicitamos que avaliassem o grau de confiança em relação à resposta que seria dada”, relata o especialista. “A avaliação de confiança requer a entrada no campo da introspecção, já que elas mesmas se perguntariam se estavam certas da exatidão da resposta”, emenda. De acordo com ele, as pessoas mais instrospectivas eram capazes de associar sua confiança à performance. Após coletarem as imagens do cérebro, os cientistas mediram até que ponto a estrutura cerebral previu a performance do voluntário durante o teste. “O que é excitante sobre essa nossa descoberta é que ela liga um fenômeno complicado – pensar sobre pensar (ou introspecção) – à estrutura do cérebro humano”, ressalta Rees. Algumas teorias propõem que tal habilidade mostra-se especialmente importante para os seres humanos. “Isso nos levou a especular que tal capacidade nos torna seres cônscios. Ainda não testamos essa proposta, mas, se ela estiver correta, preencherá uma peça a mais no quebra-cabeça da compreensão da consciência”, comenta o autor do estudo. Aplicações Por enquanto, Rees vê o uso de sua descoberta em duas vertentes importantes. Em primeiro lugar, ele acredita que será possível começar a entender como os pensamentos influenciam as reações das pessoas a doenças e tratamentos. “Algumas pessoas com danos cerebrais sofrem de anosgnósia, um estado neurológico caracterizado pela incapacidade de se estar consciente da sua própria doença. Nossos achados fornecem uma possível resposta para isso”, afirma. Em segundo lugar, pacientes que se submetem a terapias difíceis têm de pensar sobre seus pensamentos. “É preciso lembrar de tomar os medicamentos e retornar ao médico após a cirurgia. Muitos falham completamente em concluir o tratamento e, em algumas doenças psiquiátricas – como a esquizofrenia -, a não conformidade é um problema reconhecido”, alerta. A partir do atual estudo, os especialistas da UCL terão condições de começar a investigar essas questões. USO DA SUBSTÂNCIA AINDA É MISTÉRIO O papel da substância cinzenta no processo de introspecção ainda é um mistério. Tudo o que os cientistas sabem é que ela contém células nervosas de vários tipos diferentes, além de células de suporte chamadas gliais. “Não foi possível aferir, por meio da MRI, o que a mudança na densidade da substância cinzenta representa. Talvez ela seja causada pela presença de mais células de um tipo particular ou pela de um mesmo número de células maiores”, diz Rees. Provavelmente, esse enigma seguirá sem resposta. Isso porque é impossível examinar o cérebro sob microscópio. A repetição do experimento em animais, por sua vez, seria inválida, já que o tipo de instrospecção analisado se restringe aos seres humanos. Várias pesquisas sobre a consciência têm se focado na atividade cerebral. Rees e seus colegas mostraram que a estrutura do cérebro – principalmente sua espessura e formato em áreas particulares do córtex pré-frontal – também influencia a autoconsciência. De acordo com ele, até agora as ligações entre a estrutura do órgão e o comportamento se centraram nas habilidades motoras. “Pessoas que aprenderam a tocar um violino, como se fossem peritas, têm regiões mais espessas do cérebro associadas ao controle motor. Agora, ligamos a estrutura do cérebro à instrospecção – uma parte puramente perceptiva dos processos mentais. O que a ciência ainda não conhece é a relação causal entre a introspecção e essa região cerebral. Pessoas que têm mais substância cinzenta no córtex pré-frontal são mais introspectivas? Ou aquelas mais introspectivas tendem a ganhar mais substância cinzenta?”. Rees espera responder a essas perguntas em breve. O LUGAR DA FÉ NO CÉREBRO É DESCOBERTO Foi também por meio da ressonância magnética que o grego Dimitrios Kapogiannis, do Instituto Nacional de Saúde (em Baltimore, nos Estados Unidos), detectou a área do cérebro ligada à fé. “Descobrimos que as regiões ligadas à cognição social (o conjunto de funções cerebrais usado para interagir com os outros e entender suas emoções) são também utilizadas para conceber as imagens de Deus e formar crenças religiosas”, explicou. Na primeira fase da pesquisa, Dimitrios lançou mão de métodos da psicologia para identificar processos cognitivos na mente de pessoas quando se confrontam com uma ideia religiosa. “Quando um ser humano é questionado sobre Deus, ele precisa responder a três perguntas: ‘Deus está implicado em minha vida ou não?; Deus está envolvido no amor ou na raiva?; Eu baseio minha crença na imaginação de circunstâncias específicas ou em conceitos abstratos?”, enumera o especialista. Para cada pergunta, Dimitrios interpretou as funções das áreas cerebrais, por meio da ressonância magnética estrutural (MRI, pela sigla em inglês). Na primeira sequência de testes, ele e sua equipe encontraram áreas do cérebro que analisaram o significado de ações da chamada Teoria da Mente (a habilidade em compreender outras intenções e emoções). No segundo exame, descobriram uma região implicada na reação a emoções positivas. No terceiro teste, foram analisadas áreas ligadas à imaginação de cenas do próprio ser humano em ação. “O achado mais surpreendente foi o uso extensivo da imaginação para tipos específicos de crenças religiosas. Há dois tipos de crenças e dois conjuntos de áreas do cérebro os processando”, explica. Um tipo de crença nasce da própria experiência. A imaginação, por sua vez, é usada para criar situações e cenas onde esta crença é executada. Saiba mais Funções complexas Nessa região, os corpos celulares dos neurônios podem ficar agrupados em camadas (córtex), em aglomerados globosos (núcleo) ou dispersos, sem organização específica (formação reticular). Parte do sistema nervoso central, a substância cinzenta é a responsável pela transmissão dos estímulos nervosos para os órgãos. Seu aspecto acinzentado se deve aos corpos celulares que a compõem. Nessa substância, estão os centros de cognição e personalidade. GAZETA DO OESTE MÉDICO ALERTA PARA CUIDADOS COM O CORAÇÃO E A PRÁTICA REGULAR DE EXERCÍCIOS FÍSICOS Amanhã é o Dia Mundial do Coração. A data chama a atenção da população para os cuidados necessários com o órgão que representa a vida e para a ameaça que os problemas cardíacos representam, uma vez que as doenças cérebro-vasculares são as maiores responsáveis pelo número de óbitos, conforme alerta o cardiologista Alectsandro Carlos de Oliveira. “O que é que mais mata a população? As doenças cérebro-vasculares”, ressalta o médico, esclarecendo que elas dizem respeito a doenças do coração e do cérebro, como o Acidente Vascular Cerebral (AVC) e o infarto. O médico explica que algumas medidas podem ser adotadas para evitar o aparecimento das doenças coronárias ou para melhorar a qualidade de vida de quem possui problemas de coração. Isso porque alguns fatores contribuem para o aparecimento dos problemas cardíacos, entre eles, o fator genético, pois filhos de pais hipertensos podem ter maior probabilidade de apresentar a doença. Outro fator concomitante para a doença cardiovascular é a diabetes. Alectsandro Carlos de Oliveira também cita a obesidade, o tabagismo, o sedentarismo e o próprio avanço da idade, pois, como ele lembra, o corpo também vai envelhecendo. “Dos fatores que favorecem as doenças cardíacas, o principal fator é a pressão arterial”, reforça o profissional, acrescentando que se a pessoa apresenta mais de um desses fatores ela tem mais chances de ter um evento cardíaco, que tanto pode ser caracterizado por uma doença, como o infarto, como pode chegar à morte. Outro inimigo do coração é o estresse. “O estresse é o fator desencadeador para a ruptura da placa e formação do trombo”, diz o médico, explicando que as pessoas que vivem sob estresse têm mais chances de desencadear um evento cardíaco. Diante dos fatores de risco, a principal medida a ser adotada para evitar as doenças coronárias é o controle da pressão arterial. Mas outros cuidados também são fundamentais, como controlar o colesterol, abandonar o tabagismo, no caso dos fumantes, ou evitar o interesse pelo vício, no caso daqueles que nunca tiveram contato com o fumo, e evitar ainda a ingestão de bebidas alcoólicas. Além disso, a realização de uma atividade física regular é de grande importância. Aliás, na luta por um coração saudável, a prática de exercícios físicos é um grande aliado. De acordo com Alectsandro Carlos de Oliveira, além de melhorar o humor e, consequentemente, aliviar o estresse, a prática de exercícios ajuda a diminuir o colesterol, contribui na diminuição do diabetes, na perda de peso, no desenvolvimento intelectual e até no desempenho sexual. Ele menciona que são consideradas atividades físicas os exercícios com duração de, pelo menos, 40 minutos e realizados, no mínimo, cinco vezes por semana. Associados à uma rotina que inclua o lazer e terapia ocupacional, essas atividades também ajudam as pessoas a se livrarem do estresse. O cardiologista comenta que, atualmente, as atividades físicas são mundialmente estimuladas, independentemente do sexo, da faixa etária e dos níveis sociais. Os exercícios são indicados, inclusive, para pessoas que estão se recuperando de um processo cirúrgico. Isso porque nós vivemos em um mundo mais sedentário, caracterizado por controles remotos e vidros elétricos. “O mundo é mais moderno e a gente precisa de mais atividades físicas”, conta. Com relação ao momento adequado para procurar orientação profissional e saber como está o funcionamento do coração, Alectsandro Carlos de Oliveira explica que as pessoas devem procurar o médico do coração quando apresentarem algum sintoma cardíaco, independentemente da idade. Entre os sintomas, ele destaca: falta de ar, palpitação, dor no peito e edemas. Além disso, as pessoas que apresentam os fatores de risco – obesidade, hipertensão arterial, níveis de diabetes e colesterol acima do ideal, tabagismo e histórico familiar com presença de doenças coronárias. Para quem nunca apresentou sintomas cardíacos e nem possui fatores de risco, o aconselhável é que, a partir dos 30 anos, todas as pessoas façam um eletrocardiograma e consultem um cardiologista anualmente. ESTRUTURAÇÃO DE UNIDADE DE PRONTO ATENDIMENTO É META DA SAÚDE PARA 2011 Segundo informação prestada pelo secretário municipal de Saúde, Jader Torquato do Rego Neto, para o exercício de 2011 uma das prioridades administrativas na instância da Secretaria será a estruturação de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). O secretário municipal registrou que já foi orientado pelo prefeito Ivan Lopes Júnior no sentido de que este projeto seja trabalhado entre as prioridades para o ano vindouro. Jader Torquato registrou que a implementação de uma UPA se constitui numa diretriz do governo municipal e tem por finalidade melhorar a prestação dos serviços de saúde pública à população. “O prefeito Ivan Júnior tem externado uma permanente preocupação no sentido de que a qualidade dos serviços de saúde permaneça evoluindo”, ressaltou o auxiliar. Ele crê que o empreendimento poderá ser viabilizado por todo o primeiro semestre de 2011. As UPAs são estruturas de complexidade intermediária entre as Unidades Básicas de Saúde e as portas de urgência hospitalares, onde em conjunto com estas compõe uma rede organizada de Atenção às Urgências. São integrantes do componente pré-hospitalar fixo e devem ser implantadas em locais/unidades estratégicos para a configuração das redes de atenção à urgência, com acolhimento e classificação de risco em todas as unidades, em conformidade com a Política Nacional de Atenção às Urgências. Ação realizada pela UPA está vinculada à atividade do Samu A estratégia de atendimento está diretamente relacionada ao trabalho do Serviço Móvel de Urgência (SAMU), que organiza o fluxo de atendimento e encaminha o paciente ao serviço de saúde adequado à situação. As UPAs podem ser classificadas em três diferentes portes, de acordo com a população da região a ser coberta, a capacidade instalada (área física, número de leitos disponíveis, recursos humanos e capacidade diária de atendimentos médicos) e para cada porte foi instituído incentivo financeiro de investimento para implantação das mesmas, além de despesas de custeio mensal. RN DEBATE NESTA SEGUNDA-FEIRA REGIONALIZAÇÃO DA SAÚDE Fortalecer as regiões de Saúde e qualificar o Sistema Único de Saúde (SUS) do Estado. Este é o objetivo do II Seminário de Regionalização da Saúde do Rio Grande do Norte, promovido pela Secretaria Estadual de Saúde Pública (SESAP), por meio da Coordenadoria de Promoção à Saúde. O evento ocorrerá nesta segunda-feira, 27, das 9h às 18h, no Praiamar Hotel, em Ponta Negra. O Seminário é direcionado aos prefeitos e secretários de Saúde dos 167 municípios do RN, além de técnicos dos níveis central e regional da Sesap, representantes das unidades de saúde e de referência da rede pública do Estado, do Ministério da Saúde (MS), do Ministério Público do RN, da Governadoria, das secretarias estaduais, da Procuradoria da República, da Assembleia Legislativa, da Câmara dos Vereadores de Natal, do Conselho Estadual de Saúde (CES), do Conselho dos Secretários Municipais de Saúde (COSEMS), da Comissão Intergestores Bipartite, do Núcleo de Estudos em Saúde Coletiva (NESC), da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e da Federação dos Municípios do RN (FEMURN). As inscrições no evento serão feitas no local, antes do início da programação. “A participação de todos contribui substancialmente para a sustentabilidade da proposta de regionalização como política pública estruturante do SUS do RN”, assinala Celeste Rocha, coordenadora de Promoção à Saúde da Sesap. A mesa de abertura contará com as presenças do secretário estadual de Saúde, George Antunes; da técnica do MS, Ana Cristina Curvina; da presidente do CES, Luzia Bessa; da presidente do Cosems, Solane Costa; e da professora do Nesc, Elizabeth Souza. Na programação, haverá debates sobre os seguintes temas: “Olhares sobre o processo de regionalização como política do SUS”; “A regionalização do SUS/RN: diagnóstico, avanços e desafios”; “Consórcios públicos no fortalecimento das redes regionalizadas de saúde”; “A experiência do consórcio de saúde de Currais Novos” e “A experiência do Consórcio Público Intermunicipal de Saúde do RN”. Para finalizar o Seminário, será realizada uma apresentação dos oito colegiados de gestão regional, abordando indicações de uma agenda estruturante para o fortalecimento dos colegiados e das regiões de Saúde do RN. O MOSSOROENSE GRAVIDEZ PRECOCE É MAIS FREQUENTE EM MENINAS COM BAIXA ESCOLARIDADE Cabeça baixa e olhar inseguro. Sentada, com os ombros caídos, pernas cruzadas, braços passados transparecendo o extinto maternal de proteção. A jovem A.L.S. menina de apenas 15 anos, grávida de cinco meses não conseguiu esconder da família a novidade. O companheiro, que ainda é seu namorado, deu apoio. A família, mesmo insatisfeita com a situação, foi obrigada a aceitar a notícia. “Faço o pré-natal, todos os exames e vou para o médico. Só acho ruim porque vou ter que deixar a escola por um tempo para cuidar do meu filho, porque minha mãe trabalha e não pode me ajudar”, conta a menor. Olhando para a silhueta franzina da “criança” é difícil acreditar que ela estará gerando uma nova vida. Histórias como esta são mais comuns do que se imagina. Os números não mentem. Em Mossoró, os dados sobre gravidez na adolescência mais recentes coletados na única maternidade que atende pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a Casa de Saúde Dix-sept Rosado, são do final de 2009. Hoje, Dia Mundial de Prevenção da Gravidez na Adolescência é importante reforçar o alerta sobre sexualidade e métodos de contracepção. No período de 1º de novembro de 2009 a 31 de dezembro do mesmo ano foram realizados 960 partos na maternidade. Desses, 144 foram de meninas na faixa etária dos 12 aos 18 anos, adolescentes com um futuro pela frente. O número de partos de adolescentes representa 15% do total nesse período. Entre os partos de meninas adolescentes, mais de 40% foram de jovens menores de 16 anos, período em que a gravidez é considerada de alto risco. Nessa idade a mulher ainda não possui a maturidade ginecológica ideal para a reprodução. O útero não se desenvolveu totalmente, assim como a parte óssea da pelve. Nessa fase da vida, o útero possui uma força de contração muscular desenvolvida, o que explica o grande número de partos prematuros entre as adolescentes. Participar de programa de acompanhamento da gestação ajudam as meninas a se sentirem mais seguras na hora do parto. A Casa de Saúde possui o Programa Parto Feliz que atende gestantes, adolescentes, ou não, que passam pela experiência de serem mães pela primeira vez. “O atendimento é feito por uma equipe multidisciplinar formada por enfermeiras, psicólogo, fonoaudiólogo, assistentes sociais e pessoas da equipe de amamentação que fornecem informações através de palestras. Elas aprendem todos os cuidados que devem ter durante a gravidez e o que acontece na hora do parto”, diz a assistente social Andréia Lira. Atualmente, entre as 351 mães de “primeira viagem” que se cadastraram no projeto desde janeiro até agora, 53 são adolescentes. “O que nós percebemos é que muitas vezes elas estão amedrontadas, com medo da responsabilidade. Mas nesse estágio, quando estão próximas a darem à luz elas já se acostumaram com a ideia, pois o susto é maior na hora que descobrem que estão grávidas. Depois elas começam a tratar de forma diferente. Vem a emoção de ser mãe”, explica Andréia. Um aspecto relevante apontado por Andréia, é que boa parte dessas meninas vem de famílias com nível de escolaridade muito baixo, geralmente vivendo na zona rural. Dados nacionais fornecidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que entre as mulheres com menos de 7 anos de estudo, o grupo etário de 15 a 19 anos concentra 20,3% das mães, enquanto entre as mulheres com 8 anos ou mais de estudo, a mesma faixa etária responde por 13,3% da fecundidade. Os dados influenciam também no futuro, sobre o número de filhos que essas meninas terão. Os números do IBGE revelam ainda que as mulheres com até 7 anos de estudo têm, em média, 3,19 filhos, quase o dobro do número de filhos (1,68) daquelas com 8 anos ou mais de estudo (ao menos o ensino fundamental completo). No município existem pelo menos três programas desenvolvidos pela Gerência Municipal de Saúde com foco na questão da prevenção da gravidez precoce. “Nós temos o plano municipal de redução da mortalidade materna e infantil e dentro desse plano existe um viés para a prevenção da gravidez na adolescência. Além desse, existem outros dois projetos de prevenção à saúde sexual e reprodutiva nas escolas, tentando fazer discussões e articular estratégias junto com as equipes do Programa de Saúde na Família (PSF)”, informa o coordenador do Programa Municipal de Saúde da Criança e do Adolescente, Jenifer do Vale e Silva. Todos esses projetos têm caráter educativo, porém existe também o planejamento familiar realizado nas unidades de saúde através da distribuição de métodos contraceptivos. “A gravidez na adolescência extrapola a dimensão da saúde, pois está intimamente ligado ao nível de vida das pessoas e o nível de escolaridade. Tanto que em outras sociedades, mais desenvolvidas, os indicadores desse problema são bem menores. O enfrentamento desse problema passa por uma questão estrutural de melhora na qualidade de vida”, reforça o coordenador. As ações realizadas pontualmente são necessárias, porém precisam estar integradas dentro de um conjunto maior de programas ligados à saúde e educação. “De forma geral sabemos que essas ações por si só não vão resolver o problema como um todo. Enquanto não melhorar as condições de vida da população, não conseguiremos resolver esse problema definitivamente. O que podemos fazer são ações como essas”, finaliza Jenifer do Vale. O MOSSOROENSE SECRETARIA DE SAÚDE REEDITA MUTIRÃO COM PRESENÇA DE VÁRIAS ESPECIALIDADES EM PENDÊNCIAS PENDÊNCIAS – Repetindo a experiência bem-sucedida que ocorreu em igual período de 2009, a Secretaria Municipal de Saúde de Pendências, cidade localizada na região do Vale do Açu, promoveu durante toda da manhã da última quarta-feira, dia 22 de setembro, o “Mutirão da Saúde”, através do qual foram oferecidos gratuitamente diversos atendimentos médicos em várias especialidades. A programação teve lugar ao distrito rural de Mulungu e, na avaliação da secretária municipal, a médica Cícera Padilha, foi coroada de êxito. O ponto de partida das atividades se verificou com uma caminhada, envolvendo moradores da comunidade e profissionais de saúde, a partir das 6h30. “Este primeiro instante foi de grande importância para começarmos trabalhando a questão da promoção à saúde”, esclareceu a secretária. “Procuramos neste momento mostrar à população de Mulungu que para se ter saúde é necessário praticar exercícios físicos e consumir uma boa alimentação”, complementou. O itinerário de atendimentos foi iniciado às 8h. Na oportunidade, conforme Cícera Padilha, aconteceram consultas nas áreas de cardiologia, ginecologia, endocrinologia, pediatria, etc. Paralelamente, o núcleo de endemias do órgão mobilizou um total de 14 agentes que promoveu um “arrastão” com o intuito de recolher objetos que pudessem servir de criadouros de larvas do mosquito transmissor da dengue. Houve ainda o trabalho domiciliar no sentido de orientar os habitantes a prevenir e combater a doença. ANÁLISE Na interpretação da secretária de Saúde – que é também irmã do prefeito Ivan Padilha (PMDB) – a realização dos mutirões acaba se constituindo num grande avanço pelo fato de permitir que uma grande variedade de serviços médicos seja disponibilizada fora da sede do município. “Nesses mutirões já pudemos realizar alguns importantes diagnósticos em pessoas que, por qualquer razão evitam se deslocar frequentemente até o centro de Pendências”, registrou. A secretária concluiu informando que a programação realizada em Mulungu atendeu povoados próximos, como Amargoso e alguns projetos de assentamento de reforma agrária. Assessoria de Comunicação do Cremern Telefone: 4006-5343 Contatos: Casciano Vidal: 9990-1473 Ana Carmem: 9909-4100

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