Uma em cada três crianças de cinco a nove anos está acima do peso no Brasil, de acordo com pesquisa do IBGE. Uma ação preventiva e educativa faz-se necessária. É essa a ideia da Sociedade Mineira de Pediatria, que lança uma campanha com pretensões nacionais.


“Tire esse peso dos ombros… e da barriga”. Esse é mote da Campanha de Prevenção à Obesidade Infantil, idealizada pela Sociedade Mineira de Pediatria (SMP) e criada pelo casal de artistas Lor e Thalma. A ação, que tem apoio da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), será lançada no domingo, 19 de abril, a partir das 18 horas, durante a abertura do Congresso Mineiro de Pediatria, no Minascentro, em Belo Horizonte. A pretensão da campanha é mostrar que a culpa das pessoas e, no caso, das crianças estarem engordando não é do indivíduo, ou dos pais, mas sim de um complexo contexto sócio-político-econômico, no qual essa criança está inserida. No entanto, é importante que o indivíduo e sua família sejam agentes de sua própria mudança.

Peso dos ombros… - De acordo com a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) de 2008-09, realizada pelo IBGE e Ministério da Saúde, 34% das crianças brasileiras estão acima do peso, sendo 16,6% obesas. Isso significa que um terço das crianças no Brasil está com excesso de peso. E de quem é a culpa? Uma série de fatores aponta para o aumento da obesidade infantil, a começar pelo excesso de peso da mãe durante a gestação, a realização de cesarianas sem necessidade e a não amamentação materna do bebê. Depois, aparecem os hábitos da vida moderna: cantinas que oferecem alimentos cheios de açúcar e gorduras nas escolas; crianças passando horas em frente a computadores e televisores, onde são bombardeadas por propagandas de comida; e a falta de locais para brincarem nas grandes cidades.

No entanto, se por um lado, a ingestão cada vez maior de alimentos pobres em nutrientes é incentivada pela poderosa indústria alimentícia, por outro, a busca por um corpo perfeito, também incentivada pela televisão e outros meios de comunicação, causa uma frustração que pode levar a distúrbios alimentares, sendo a obesidade um deles.

… e da barriga - Percebendo as múltiplas causas da obesidade e entendendo que muitas vezes os profissionais de saúde não dão a devida importância para este que é um problema endêmico no mundo, a Sociedade Mineira de Pediatria resolveu fazer a sua parte. O combate à obesidade infantil pela SMP tem ponta pé inicial no Congresso Mineiro de Pediatria, mas, de acordo o propositor da campanha, Antônio José das Chagas, presidente do Comitê de Endocrinologia Infantil da SMP, o campo de ação deve ser maior, envolvendo as entidades afins e a comunidade, a exemplo da campanha antitabagismo.

Para que a empreitada da SMP tenha sucesso, outra questão deve ser levantada, “como lutar contra a obesidade?”. A resposta não é simples, mas o que está estampado em todo material gráfico da campanha é “atuar como agente da própria mudança com empenho e perseverança”. E uma das boas ideias apresentadas é: participar de um grupo de Famílias Contra a Obesidade, que a partir de agora, pode ser reconhecido pela sigla FAÇO. Uma criação de Lor e Thalma, inspirada nas famílias que convivem diariamente com a obesidade de seus filhos, mas se encontram periodicamente para manter um planejamento e lutar contra o problema.

Lor e Thalma - A criação da Campanha de Prevenção à Obesidade Infantil ficou a cargo do médico, professor da UFMG e pesquisador do CNPq, Luiz Oswaldo Rodrigues, conhecido como Lor em sua atividade como cartunista, e de sua esposa a artista plástica Thalma de Oliveira. E para a SMP, a escolha dessa parceria não poderia ser mais acertada: além de ser fisiologista, a primeira cartilha que Lor fez, em sua vida como professor universitário, foi sobre obesidade. “É um tema que me interessa muito”, disse. Para elaborar a campanha, o casal participou de reuniões multidisciplinares de um hospital de Belo Horizonte, que acompanha famílias que tem crianças obesas. Para o médico e cartunista, esse tipo de experiência é fundamental para o crescimento do combate à obesidade infantil. “Como o indivíduo se apodera? Encontrando outras pessoas com o mesmo problema”, disse Lor.

A obesidade em crianças - A Pesquisa sobre Orçamentos Familiares (POF) – 2008-09, realizada em parceria do IBGE com o Ministério da Saúde, analisando dados de 188 mil brasileiros – mostrou que a obesidade e o sobrepeso têm aumentado rapidamente nos últimos anos, em todas as faixas etárias. Neste levantamento, 50% dos homens e 48% das mulheres se encontram com excesso de peso, sendo que 12,5% dos homens e 16,9% das mulheres apresentam obesidade. Comparando-se os dados de 1974-75 com os de 2008-09, na faixa etária entre 10 a 19 anos, o excesso de peso aumentou de 3,7% para 21,7%, nos meninos, e de 7,6% para 19%, nas meninas, oscilando entre 16% e 18% no Norte e no Nordeste e entre 20 e 27% no Sudeste, no Sul e no Centro-Oeste. Foram considerados obesos 6% dos meninos e 4% das meninas. Esse aumento foi maior na zona urbana do que na zona rural, em quase todas as regiões do país, e foi maior nas famílias com maior renda.
Na faixa etária entre 5 e 9 anos, as diferenças foram maiores ainda. Em 2008-09, 34,8% dos meninos e 32% das meninas estavam com sobrepeso (16,6% e 11,8% obesos, respectivamente). Também os índices foram maiores nas áreas urbanas, principalmente no Sudeste, onde 40,3% dos meninos e 38% das meninas apresentaram sobrepeso – sendo a obesidade, em média, 20% dos casos. Apesar de o aumento ter ocorrido nas classes de maior rendimento (de 25,8% para 46,2%), chama a atenção o fato de que, na faixa de menor renda, houve um forte crescimento daqueles com excesso de peso, triplicando o percentual de 8,9% para 26,5%, evidenciando a inversão nutricional.

Atualmente, a alta prevalência de obesidade nas crianças e adolescentes é um dos problemas de saúde pública mais alarmantes de todo o mundo. Obesidade na infância é um fator de risco, uma geradora de muitas morbidades, incluindo mortalidade chegando mais cedo. É importante enfatizar que uma criança gorda entre três e cinco anos será um adulto obeso em 80% dos casos

14º Congresso deverá proporcionar atualização científica aos especialistas

14º Congresso deverá proporcionar atualização científica aos especialistas

Congresso - Realizado a cada dois anos pela Sociedade Mineira de Pediatria (SMP), o Congresso Mineiro está em sua 14ª edição e tem como tema “Pediatria: Atualização e Qualificação”. O evento acontece entre os dias 19 e 22 de abril e a ideia é proporcionar ao especialista a oportunidade de atualização científica, participando de mesas redondas, conferências e apresentações de casos clínicos. São esperados aproximadamente mil pediatras de Minas Gerais e de outros estados do Brasil. Segundo a presidente do Congresso e vice-presidente da Sociedade Mineira de Pediatria (SMP), Maria do Carmo de Barros Melo, a rotina diária do pediatra é intensa, são plantões, consultas, ambulatórios, além da vida pessoal e familiar. No entanto, a especialidade exige uma atualização e qualificação constantes. Ela esclarece que a programação científica foi discutida com muito cuidado, destacando-se a mesa redonda “Os primeiros 1000 dias de vida”; os casos comentados e interativos ao final de cada dia; a palestra sobre o bem-estar infantil, conferências sobre o bebê chiador, comunicações de Notícias Difíceis, Vacinação, e várias mesas enfocando “Abordagens difíceis”.

O evento, que tem apoio da SBP, Departamento de Pediatria da UFMG e da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais, é aberto aos sócios da SBP/SMP, não sócios e acadêmicos. Inscrições, programação completa e outras informações no sitewww.mineirodepediatria2015.com.br.


Lançamento da Campanha de Prevenção à Obesidade Infantil
Data e hora: 19 de abril às 18 horas
Local: Minascentro – Av. Augusto de Lima, 785 – Centro/BH

14º Congresso Mineiro de Pediatria
Data: 19 a 22 de abril de 2015
Local: Minascentro
Tema oficial: Pediatria: Atualização e Qualificação

Fonte: SMP

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